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Nós mulheres e as eleições Nacionais de 2022

Texto de Michela Calaça

Inspirada no que nos lembra a música do grupo CoisaLuz quando canta: “Mulheres que caminham juntas, ninguém é capaz de domar” , quero trazer a memória o #EleNão de 2018, momento que várias mulheres de distintos espectro político, de distintas religiões, cores, lugar de moradia e inclusive diferentes classes sociais, apontavam que um candidato que defendia armas, que tinhas atitudes racistas, machista e LGBTfóbicas, que além disso era completamente despreparado para governar o país, traria retrocessos em todos os âmbitos da vida social, mas isso teria um impacto ainda maior na nossa vida.

Estávamos certas!

Vivemos hoje em um país que a fome voltou de forma massiva e quem mais tem que lidar com essa realidade são as mulheres negras. Quem ainda não está vivenciando diretamente a fome, está vendo sua alimentação piorar dia após dia, pois os preços dos alimentos dificultam inclusive os setores médios a ter acesso a mesma comida que tinha antes. E nesses setores médios também são as mulheres que tem que lidar com a cobrança de fazer mais com menos, mas é preciso perguntar se com outra política econômica, social e ambiental seria preciso fazer mais como quase nada, como ocorre hoje.

O desastre econômico, ambiental e social do governo Bolsonaro dificultou a vida de toda a sociedade, mas quando a vida piora para todo mundo ela piora mais para nós. Somos as que mais perdemos os empregos, temos tido a nossa jornada de cuidados muito ampliada, quando o Estado não cumpre seu papel na saúde pública e gratuita para todos os tipos de adoecimento, quem cuida?

A política do governo Bolsonaro foi diminuição do papel social do Estado, o que nos sobrecarrega diretamente; a diminuição do número de beneficiadas pelo Bolsa Família jogou inúmeras mulheres e suas famílias na miséria. A política de enfrentamento a violência contra mulheres e crianças teve o menor recurso dos últimos anos e mesmo assim não foi complemente executado. E ao mesmo tempo o ministério trabalhou no sentido de dificultar o acesso das mulheres ao diretos sexuais e reprodutivos já conquistados, como também a própria denuncia dos casos de violências sofridas pelas mulheres.

Vimos os nossos direitos serem retirados dia após dia, diretamente ou de forma indireta, fizemos muitas lutas contra isso, mas um governo que entende o povo como inimigo, não escuta reivindicações.

A Pandemia nem queremos mais ouvir falar nela, tão difícil e desastrosa ela foi na nossa vida, fomos que mais perdemos emprego, seja porque a economia piorou pelas opções desastrosas desse governo que só quer melhorar a vida dos extremamente ricos, seja porque não sendo possível pagar por cuidados que o Estado deveria fornecer, voltamos para casa. Convido todas as olhar na sua vida qual a política do governo Bolsonaro que pode ser lida como positiva.

Foi difícil ler até agora, muita lembrança difícil, mas se você chegou até aqui, entenda que nossa intenção é dizer poderia ter sido diferente e que podemos esse ano apostar em um projeto que traga esperança de melhora que as propostas dialoguem com as necessidades reais da nossa vida cotidiana. Até mesmo o desastre da pandemia poderia ter sido menor. Um governo que pensa no social, ambiental e no econômico como uma relação complementar teria enfrentado esses desafios de forma diferente.

A eleição não é apenas uma disputa entre pessoas que querem governar um país. Ela muitas vezes se apresenta assim, mas a disputa real é entre projetos de país. Nem sempre temos grandes diferenças entre os candidatos como teremos esse ano. Essa eleição carrega consigo a disputa de projeto de sociedade, o reforço a violência como modo de governo ou algo que se contraponha a essa lógica.

Optaremos entre a ampliação do conservadorismo reacionário, que significa menos direitos em especial para mulheres e negros, que significa uma maior ampliação da fome, da destruição ambiental em nome do enriquecimento de muitos poucos que já são muito ricos. Ou um projeto que tem na possibilidade de todas as pessoas comerem três vezes ao dia, uma forma de ampliar direitos das mulheres, ampliação do papel do Estado na saúde, educação, geração de emprego e renda, como também ver a natureza não como um entrave ao desenvolvimento, mas como potencial brasileiro para uma economia soberana.

Eleição influencia na nossa vida, do preço do pão até a possibilidade ou não de ver futuro para nossos filhos e filhas. Quando menos Estado para o povo, mais trabalho e escravidão para as mulheres. Em 2022, nós precisamos fazer uma escolha pela defesa da vida em todos os níveis, pois é isso que historicamente nós mulheres sabemos fazer seja na cidade, no campo, na floresta ou nas águas.

Esse artigo é um convite ao diálogo comigo, mas também com suas vizinhas, amigas, colegas de trabalho, familiares, se reúna com outras mulheres para discutir como essa eleição pode melhorar ou piorar a nossa vida.

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Cebi realiza Vigília de Oração Pela Vida das Mulheres na praça São José, as 18h

Faltam poucos dias para o 8 de Março. Em Mossoró uma série de atividades estão programadas para acontecer, como é o caso do grande ato na Praça do Pax, às 16h30, e outras já estão sendo executadas. Além do ato principal, as organizações e coletivos feministas já vêm desenvolvendo ações alusivas ao 8M.

Neste sábado (05) acontece a Vigília pela Memória das Mulheres Presentes na Caminhada, na Praça Pe. Guido Tonelloto (Praça da Igreja S. José), às 18h. O ato é organizado pelo Centro de Estudos Bíblicos (Cebi), que integra as entidades que lutam pela Vida das mulheres.

De acordo com Zélia Cristina Pedrosa, da assessoria da Cebi, é importante a presença de todas em mais um momento de luta. Na Vigília serão lembradas, especialmente, as mulheres que se dedicaram à luta antes de nós.

“Como entidade ecumênica que se dedica à leitura libertadora da Bíblia, nós propomos uma vigília de oração, preparando esta jornada de lutas. Celebramos a grande bênção de sermos mulheres. Nossas ideias, nossos dons, tudo o que nos faz mulher e que nos fortalece cada dia para seguir lutando e abrindo caminhos para que este mundo seja diferente, inclusivo e igualitário em relação a direitos e oportunidades”, destaca Zélia.

O momento é de recordar as muitas mulheres que abriram caminhos e lutaram pelo fim da violência contra mulher e reivindicaram nossos direitos. “Unimo-nos em uma corrente, em uma rede com toda nossa rica região latino-americana e caribenha para celebrar este dia, dando graças a Deus por nos criar à sua imagem e semelhança, delicadas e fortes, sensíveis, inteligentes e valentes, lutando dia a dia e fazendo que nossas vozes sejam escutadas”, finaliza.

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Ato do 8 de Março em Mossoró será na Praça do Pax às 16h30

Neste 08 de Março, Dia Internacional da Mulher, mulheres em todo o país ocuparão as ruas com o mote “Pela Vida das Mulheres: Bolsonaro Nunca Mais! Por um Brasil sem Machismo, Racismo e Fome”. Em Mossoró, a principal atividade será na Praça do Pax, às 16h30, onde acontecerá o ato unificado, reunindo representações de diferentes movimentos sociais, sindicais e partidos políticos. 

“Esse ano de 2022 será decisivo pro Brasil. Com as eleições presidenciais chegando, nós mulheres, que sempre estivemos nas trincheiras, temos a chance de derrotar Bolsonaro, e com isso, dizermos não ao machismo, ao neoliberalismo, ao negacionismo, e de construirmos o país que queremos, que coloque a sustentabilidade da vida como prioridade”, destaca Pluvia Oliveira, da Marcha Mundial das Mulheres.  

Para ocupar as ruas, as mulheres se dividiram em dois blocos que sairão de pontos específicos e seguirão em passeata até a Praça do Pax para o grande ato. Um bloco sairá da praça do Shopping Boulevard e outro que sairá do Centro Feminista 8 de Março, localizado na rua Desembargador Dionísio Filgueira, 519, Centro.

De acordo com Telma Gurgel, da Coletiva Motim Feminista, o 08 de Março vai ser um dia todo dedicado às mulheres nas ruas contra Bolsonaro. “Vamos ter às 6h a Alvorada Feminista e à tarde um ato com todas as organizações feministas. Durante o ato teremos o artivismo, que é o conjunto de atividades artísticas de várias expressões. Além de ter, mais uma vez, a presença das mulheres em defesa da sua vida, contra Bolsonaro e pelo fim do feminicídio. É importante a presença de todos e todas que apoiam e, principalmente, das mulheres”, disse.  

Michela Calaça, do Movimento de Mulheres Camponesas, afirma que é fundamental que as mulheres ocupem as ruas no dia 08 de março: “na Via Campesina haverá uma jornada de luta das mulheres que vai do dia 07 à 14 de março com ações de solidariedade, com lutas de rua e também espaços de formação política, mas no dia 08 é todas nas ruas. Em um ano tão importante, as mulheres darão seu recado de que vão derrubar Bolsonaro. Iremos pautar isso durante o ano todo, e agora em março vamos dar uma amostra da nossa força”.

 Os movimentos que estão à frente do ato fazem um chamado a todas para se juntarem aos blocos e somar na luta pela vida das mulheres, contra o machismo, o racismo, o feminicídio, as desigualdades, o aumento do gás, do preço dos alimentos, da fome, do desemprego e toda essa crise econômica que só se agravou no governo Bolsonaro e que tem afetado de forma mais violenta a classe trabalhadora.  

Fazem parte do processo de articulação o Movimento de Mulheres Camponesas, várias organizações da via campesina, a Marcha Mundial de Mulheres (MMM), a Articulação de Mulheres Brasileiras (AMB), a Liga Brasileira de Lésbicas, secretarias de mulheres dos vários partidos de esquerda, a União Brasileira de Mulheres e demais organizações de nível local e nacional como o Núcleo de Estudos da Uern (NEM), Associação dos Professores da Ufersa (Adufersa), a Coletiva Motim Feminista, entre outras.

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As noites azuis não duram para sempre

Ana Karla Farias – Jornalista e pesquisadora em cinema e literatura (Unicamp).

Os crepúsculos tornam-se mais longos e azuis em certas latitudes, na iminência do solstício de verão ou logo após. Nesses períodos eventuais, a noite se cobre de um manto azul luminoso, dando a impressão de que o dia não se findará. Porém, é um engano supor que aquela luminosidade durará para sempre. As noites azuis encontram sempre seu término, assim como os ciclos da vida que se encerram para possibilitar caminhos outros, recomeços. A luminosidade das noites azuis é o contrário da escuridão, mas ela também tem seu fim.

“O tempo passa. Seria possível que eu nunca tivesse acreditado nisso? Terei acreditado que as noites azuis pudessem durar para sempre?”, questiona a escritora, jornalista e ensaísta norte-americana Joan Didion em sua obra Blue Nigths (Noites Azuis). O processo de escrita e feitura de Blue Nights dá-se em 26 de julho de 2010, não aleatoriamente. A data remete a memória do casamento de sua filha, Quintana Roo. No mesmo dia, sete anos antes, Quintana se casara em Nova York. Por meio de lembranças fragmentadas, a autora vai tentando reconstruir esse episódio que lhe fora tão caro e marcante. “26 de julho de 2010. Hoje seria o aniversário de casamento dela. Há exatamente sete anos retiramos colares havaianos das caixas da florista e sacudimos água em que eles estavam conservados no gramado em frente à catedral St. John the Divine na Amsterdam Avenue. (…) A trança que pendia pelas costas dela estava entremeada de flores-de-noiva brancas”.

O livro é um esforço, por vezes, dolorido, de reativar a memória pessoal da autora sobre experiências de sua vida, sobre uma época, sobre pessoas importantes em sua trajetória e, principalmente, sobre a relação com sua única filha já falecida, Quintana Roo. Como uma forma de elaborar o luto, Didion experimenta em carne-viva a dor da perda e a saudade da filha, tal qual uma ferida que não sara nunca.

Em 2003, a escritora perdeu o marido, enquanto a filha estava em coma induzido. Com um quadro clínico cada vez mais grave, Quintana falece alguns meses após a morte do pai. A obra dialoga muito com a época de luto coletivo que vivenciamos em tempos de pandemia em que nos deparamos com o medo da morte ou com o sentimento de perda. Com as mortes por coronavírus, tem sido muito rotineiro enfrentar a difícil realidade de ver pessoas queridas partirem bruscamente. Didion nos lança a reflexão de onde podemos extrair forças para resistir a essa dor tão visceral que é a perda de um filho. “Que luto maior há para mortais do que ver seus filhos mortos. Eurípedes disse isto. Quando falamos sobre mortalidade, estamos falando sobre nossos filhos”.

Nesses tempos atípicos, reconhecemo-nos na voz e fragilidade da autora que desnuda suas dores e angústias. “Eu mesma guardei suas cinzas na parede. Eu mesma vi as portas da catedral se trancarem às seis. Sei o que estou vivenciando agora. Sei o que é a fragilidade, sei o que é o medo. O medo não é daquilo que se perdeu. O que se perdeu já está guardado na parede. O que se perdeu já está atrás das portas trancadas. O medo é daquilo que ainda resta a perder. Talvez você não veja nada que ainda reste a perder. Contudo, não há um único dia na vida dela em que eu não a veja”.

A obra reativa o lugar de memória da autora que em um movimento sinuoso como é o trabalho da memória, vai tecendo fragmentos de lembranças da filha Quintana. Enquanto leitores, nos deparamos com episódios que remontam a vida de Quintana, desde o momento em que ela fora adotada, perpassando pela infância na Califórnia, na casa onde morava, dos trabalhos da escola, o crescimento e casamento. Tudo isso sem seguir uma sequência linear dos acontecimentos, mas o fluxo de pensamento da autora.

A narrativa é escrita em primeira pessoa, apresentando relatos pessoais que se aproximam de uma vertente diarística e até autobiográfica, contudo, sem se reduzir a uma escrita de si, uma vez que Didion conta de si, de suas dores, angústias, medos através do outro. De uma maneira ensaística, ela se coloca em abertura com alteridades outras: a filha, o marido, amigos, lugares, permitindo-se reinventar-se junto com essas outrocidades, bem como experimentar a si e a obra no processo de escrita e criação. A obra também se coloca num entrelugar entre o privado e a experiência pública, no sentido de que Didion expressa sua vida íntima, mas também retrata uma época e questões coletivas.

No momento em que inscreve sua subjetividade na própria obra, construindo uma narrativa a partir de suas experiências pessoais e memórias particulares, refletindo sobre sua filha, sobre a maternidade, sobre a saudade que nutre de Quintana, sobre seus medos e dores latejantes; Didion vai tecendo uma subjetividade feminina nesse processo de colocar-se em obra. A autora é uma artista que expressa, a um modo ensaístico, sua subjetividade, apresentando também uma maior liberdade de experimentação formal.

Sobre a autora
Joan Didion nasceu em Nova York, em 1934, destacando-se por seus
trabalhos como romancista, jornalista e ensaísta. Dentre suas obras mais conhecidas estão O álbum branco (1979) e O ano do pensamento mágico (2005). Didion falecera há pouco tempo, em dezembro de 2021.

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Destaque Política

Carta aberta ao Presidente da Câmara Municipal de Mossoró, excelentíssimo senhor vereador Lawrence Amorim

A revista Matracas lança Carta Aberta, direcionada ao presidente da Câmara Municipal de Mossoró, sobre a postura machista, misógina e homofóbica do vereador Raério Araújo, em seu discurso na sessão da Câmara na manhã desta terça-feira (14/12).

Senhor presidente,

O Brasil é marcadamente um país violento. Lamentavelmente, as maiores vítimas da violência são pobres, negros, população LGBTQUIA+ e mulheres, não necessariamente nessa ordem. Esse fato mostra, inegavelmente, que grande parte dos atos violentos são perpetrados tendo como motivadores a discriminação e o preconceito.

A partir da mobilização de setores progressistas da sociedade, o país deu um importante passo para tentar coibir a violência contra as mulheres. O advento da Lei 13.104, de 9 de março de 2015, qualificou o crime de feminicídio, sendo aquele cometido contra a mulher por razões da condição de sexo feminino. 

A despeito dessa grande conquista, começamos a ter retrocessos, representados no aumento do número de feminicídios e de casos de violência doméstica. O crescimento da violência contra a população LGBTQUIA+ também assusta.

De acordo com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, em 2020, foram registrados nada menos que 1.350 feminicídios no país, aumento de quase 1% em relação a 2019. Já a violência letal contra a população LGBTQUIA+ cresceu quase 25% em relação ao ano anterior. 

São crimes que ocorrem potencializados pelo discurso machista, misógino, discriminatório e preconceituoso, como o proferido hoje pelo vereador Raério Araújo (PSD).

É assustador, senhor presidente, que de onde se espera que venham projetos, ações e proposições que contribuam para minimizar esse grave problema, se originem comentários maldosos, com discriminação de gênero, que colocam as mulheres inferiorizadas, indignas de legitimidade na fala pública. 

Observe, senhor presidente, que a própria lei afirma que o crime de feminicídio é caracterizado quando “envolve violência doméstica e familiar e menosprezo ou discriminação à condição de mulher”. Existe algo mais nauseante de que um representante do povo se referir à postura de um adversário utilizando uma expressão retrógrada, ultrapassada e ultrajante como “mulher ruim”?

Não menos chocante foi o vereador ter utilizado o termo “baitola”, clara afronta à população LGBTQUIA+ e com o inegável propósito de desqualificar, menoscabar e marginalizar essa importante parcela da sociedade.

O discurso de hoje do vereador Raério Araújo, senhor presidente, precisa e deve ser repreendido. Não apenas porque já se tornou corriqueiro o seu destempero verbal carregado de preconceito e discriminação, mas principalmente porque ultrapassou todos os limites de civilidade. 

Deixar passar tamanho disparate equivale a dizer que a Câmara Municipal de Mossoró concorda com a postura do parlamentar.

Entre todos os agravantes da conduta preconceituosa do vereador em comento está o fato de ser ele presidente da mais importante comissão do Legislativo, sem nenhum demérito às demais.

A Comissão de Redação, Constituição e Justiça, presidida por Raério Araújo, tem, entre outras funções, a de garantir que as matérias a ela chegadas não firam a Constituição Federal da República do Brasil (CFRB). 

Nossa Carta Magna, digno presidente, nos alerta, em seu artigo 5º, “que todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza”. Absurdo que os comentários mais desairosos, as falas mais estapafúrdias, os discursos mais violentos venham sendo proferidos por aquele que deveria ser, na Câmara Municipal de Mossoró, guardião da “Constituição Cidadã”.

Se é absurdo que o presidente da Comissão de Redação, Constituição e Justiça tenha se constituído em contumaz maculador de um dos mais importantes princípios constitucionais, ainda pior será se o Legislativo mossoroense quedar silente aos arroubos nefastos e desproporcionais do vereador Raério Araújo. Ele não está acima da Constituição. Mesmo que a desrespeite reiteradamente.

Por todas as mulheres que sofrem diariamente com a violência sexista, com a discriminação, com o preconceito, pagando com suas vidas o descaso das autoridades;

Por toda a população LGBTQUIA+, agredida diariamente em sua existência e profanada em sua dignidade, exigimos do Poder Legislativo Municipal de Mossoró a adoção de medidas legais que punam o agressor e contribuam para que atos e fatos tão lamentáveis jamais voltem a acontecer.

 

 

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Destaque Gerais

Márcia Eurico, autora do “Racismo na Infância” receberá o prêmio Benedicto Galvão da OAB

Na próxima terça-feira (16/11) a professora Dra. Márcia Campos Eurico receberá o prêmio Benedicto Galvão, da Ordem dos Advogados do Brasil, Secção São Paulo (OAB-SP), que chega a sua décima edição.

Márcia é professora, mestre e doutora em Serviço Social pela PUC-SP e pós doutoranda pela PUC-RJ, no programa de Direito. Além de pesquisadora em Racismo Social na Infância e autora do livro “Racismo Social na Infância”, publicado pela Editora Cortez, ela vem produzindo há mais de 15 anos bibliografias sobre as relações étnicos-raciais e o racismo.

Segundo a organização da premiação a “condecoração foi instituída pela Comissão de Igualdade Racial no ano de 2012, sob a chancela do Conselho Secional, homenageando o primeiro presidente negro da Entidade (1940-1941) e enaltecendo o trabalho daqueles que, como ele, perseveram na luta em favor da equidade e da cidadania, seja com ações afirmativas, seja com políticas públicas ou privadas de inclusão social, e pela manutenção das liberdades, restaurações e preservação dos valores democráticos”.

Neste sentido, Márcia Eurico, mulher preta e periférica, entrou na universidade tardiamente, já tinha dois filhos e dividia o tempo entre os estudos e as demais jornadas tão conhecidas pelas mulheres negras, a partir do destaque que obteve. Já na graduação iniciou a docência e atualmente é professora efetiva na Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), Campus da Baixada Santista.

O prêmio Benedicto Galvão dá destaque à brilhante obra o Racismo na Infância, de Márcia. Se não bastasse sua vasta produção, a professora participa ativamente das instituições destinadas a pesquisa e estudos relativos à infância/adolescência e à luta antirracista. Sua atuação junto aos movimentos sociais é destaque em sua trajetória. Além disso, seu afeto e forma de ensinar a torna uma verdadeira educadora.

Em sua conta no Instagram (@marciaeurico) ela externa a alegria pela premiação e sua importância. “Muitas são as vozes que ecoam nesse momento e somadas a minha, traduzem em forma de palavras, a alegria desse encontro. Gostaria de compartilhar com vocês e convidar-lhes para acompanhar virtualmente, a cerimônia de premiação do X Prêmio Benedicto Galvão dá OAB. Serei premiada pelo ativismo e pela minha produção intelectuais antirracista, com destaque para o livro “Racismo na Infância”. Dedico esse prêmio a todas as mulheres negras que vieram antes de mim e aquelas com as quais compartilho a jornada hoje”.

Em 2018 a PUC-SP ficou ocupada pelos alunos (as/es) por quase uma semana, no movimento intitulado #MarciaFica! As alunas (os/es) reivindicavam a permanência da professora no Curso de Graduação em Serviço Social, ao denunciar como o racismo institucional está impregnado nas universidades. O movimento trazia à tona a dura realidade e que o Curso de Serviço Social nunca

teve em seu corpo docente uma professora (o/e) efetiva (o/e) negra (o/e) em seus mais de 70 anos de existência. Márcia Ficou, não como professora efetiva da universidade em questão, mas na história da luta contra o racismo e provando a tão famosa afirmação que quando uma mulher negra se movimenta ela movimenta o mundo (Ângela Davis). O prêmio é considerado um reconhecimento que se estende também à uma das maiores escritoras do Brasil, Carolina Maria de Jesus (in memoriam).

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Destaque Matracas Literárias

Tiraram a fofoca de nós

Texto de Juliana Marinho Pires – jornalista e terapeuta holística.
Hoje eu queria falar sobre um assunto que a maioria de nós não percebe. Nascemos em uma Era em que não entendemos mais o mundo a partir da nossa perspectiva como mulheres, mas sob um olhar mastigado com dente podre, massacrado, hiperventilado de julgamentos, de andanças por caminhos tortos, de servilismo e ofuscamento. Estamos vendidas, ou melhor, compradas, por um patriarcado aliado ao capitalismo (os dois andam de mãos dadas desde sempre); dueto vil, hipócrita, mesquinho.
Era uma vez mulheres que se encontram em tabernas na antiga Bretanha, lá por volta de 1200. Falavam sobre diversos assuntos domésticos e públicos: umas davam conselhos as outras e emitiam opiniões sobre as diversas situações do cotidiano que suas amigas viviam.  Mais do que isso, elas se inteiravam do que as outras mulheres viviam, situações distintas das delas, e assim entendiam a diversidade do mundo, as nuances das relações, de cada família, dos povoados onde moravam, da essência humana.
Corta a cena: vamos para as escravizadas no Nordeste brasileiro nos idos do século XVII lavando roupa na beira do rio. Lá era, quiçá, o único lugar e momento em que elas estavam sem vigilância e sozinhas, uma certa pseudo liberdade controlada . À beira desse rio, surrando as mãos de tanto esfregar tecido, elas fofocavam, riam, conversavam, choravam; partilhavam o que viviam e contavam também o que acontecia a sua volta: uma conhecida do mercado, a sinhá que passou algum aperto, a vida dura da extração de cana-de-açúcar…enfim, mazelas e anedotas da vida daquela também pseudo sociedade que as cercava.
Vamos cortar para mais uma cena: senhoras da elite francesa moram no Vietnã, que, não tão antigamente assim, no séculos XIX e XX era Indochina, parte do império francês na Ásia. Elas se reuniam para tomar o chá da tarde em uma confeitaria francesa em Saigon. Nessa época, o patriarcado e o protagonismo masculino forjado pelos homens brancos de regiões ditas poderosas do mundo já vigorava com força – mal saberíamos naquela altura que a situação ia piorar, e muito -, mas ainda assim essas mulheres se encontravam, proseavam sobre seus casamentos, sobre o calor da região, sobre maternidade, sobre suas criadas malcriadas. Trocavam receitas, riam, choravam e desabafavam, ainda que frivolidades do próprio cotidiano.
Fofoca, até algum momento, era um ato libertador quando as mulheres se expressavam livremente sobre seus afetos e seus desafetos, sobre seus sentimentos, e também sobre a sociedade em que viviam; traçavam paralelos com a vida dos outros para entender a sua própria. Assim também, elas podiam se ajudar, se empoderar juntas, criar discursos de poder e expandir suas ideias. Uma dava segurança para outra e não se percebia mais só. Essa é a origem da fofoca.
Segundo a autora italiana Silvia Federici, em seu livro “A história oculta da fofoca”, o termo “gossip”, fofoca em inglês, originalmente significava “God parent”, uma espécie de madrinha ou padrinho, alguém com quem você poderia estar e contar. Quando olho agora no dicionário de português a palavra fofoca, lá diz: dito cheio de maldade, mexerico; aquilo que se comenta com o intuito de causar intrigas; conversa sem fundamento, e por aí vai.
Traduzido recentemente por fofoca, gossip é mais um dos conceitos distorcidos ao longo de séculos de patriarcado, que como a própria Silvia diz, narrar a história de palavras como essa que “são frequentemente usadas para definir e degradar as mulheres é um passo necessário para compreender como a opressão de gênero funciona e se reproduz”. Afinal, as mulheres são aquelas, nas piadinhas cínicas machistas, que fofocam, que tramam, que falam da vida dos outros, que se metem em tudo, que conspiram. Os homens, ó pobres seres, são objetivos, éticos, frios, concisos, sintéticos, desinteressados, eficientes. E de que esses rótulos  disfarçados de realidade nos serviu? Para criar separação e guerra entre nós, mulheres, e diminuir nossos grandes atributos.
Já ouvi de algumas pessoas que sou fofoqueira, já até vesti essa carapuça algumas vezes, de maneira inconsciente, entendendo que não fazia sentido, mas sem saber exatamente o porquê. Precisei desconstruir muita coisa dentro de mim para entender que adoro saber das histórias alheias e contar as minhas, bem diferente da fofoca aplicada para enfraquecer os encontros inspiradores e de ajuda mútua de mulheres e suas trocas profundas.
Não tenho nada a ver com a vida das pessoas, mas me interesso genuinamente por elas, até por quem eu não conheço. Perceber isso como uma virtude em mim foi libertador e me liberou de muitos julgamentos internos e autopunição. Isso a partir de muito autoconhecimento, do olhar para dentro, do me permitir ser quem eu sou de verdade e assumir minha identidade real. Quero resgatar o conceito primitivo de fofoca sem culpa. A época de ser reprimida e distorcida passou.
Um salve a todas as mulheres taberneiras, lavadeiras, madames e suas criadas! Vocês abriram os caminhos pra mim.
*Legenda da ilustração: *Ilustração publicada em 1894 em uma revista britânica da época. A arte retrata um tenebroso objeto de tortura colocado em mulheres consideradas “inoportunas”, “rebeldes”, suspeitas de bruxaria. O objeto de ferro travava a língua das mulheres e as impedia de falar. Muitas eram conduzidas em praça pública  para “servir de exemplo” à sociedade (arcaica e misógina).
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Mad Men: uma obra-prima que mostra as revoluções individuais e coletivas nos anos 50/60

Texto de Nathalia Rebouças

Parece uma série sobre publicidade nos anos 50 e 60. Apesar do tema ocupar de forma primorosa o pano de fundo dessa série, não é esse o foco principal de Mad Men. É uma história sobre pessoas. E como cada uma delas reage às transformações políticas e sociais, dessas duas décadas tão significativas para a história mundial.

Mad Men utiliza a publicidade para falar da história de Don Draper. O diretor de criação de uma agência publicitária. Admirado, invejado, criativo, cheio de conflitos. É um personagem contraditório, forte, fraco, impetuoso, resiliente. Com defeitos e qualidades que o aproximam de perfis comuns, que fazem parte da nossa rotina.

Mas o protagonismo da série é dividido com outra personagem marcante. Peggy Olson é a típica menina tímida que chega na agência para ser secretária, única função ocupada por mulheres naquela época. Aos poucos ela vai sendo descoberta. Em uma sessão de prova para um cliente ela faz um comentário que chama a atenção. Don te dá a grande chance: se tornar redatora da agência.

Em uma frase marcante, um dos clientes diz:” – uma mulher redigindo?! É como ver um cachorro tocando piano”

Peggy cresce. Ocupa o seu espaço. E vivencia diversas transformações na agência.
Na verdade, há quem diga que ela é a grande protagonista da história. Feminista nata. Sem precisar se dizer feminista. Uma mulher altiva, autônoma, corajosa e cheia de si. “Eu não preciso que um homem diga o que é melhor pra mim.”

Peggy vive a ascensão da mulher, a conquista dos direitos civis, a discussão sobre liberdade sexual e política. Um furacão de mudanças naquele momento, todas retratados na série.

A publicidade aparece em peças famosas. Slogans que até hoje não saem da cabeça da população.

Nesse processo, briga com Don, vira chefe dele e se reconcilia, ao som de Frank Sinatra, com o clássico “My Way”, a cena mais linda que já pude presenciar em se tratando de produção para as telas.

Mad Men aborda o feminismo, o machismo, o American Way of Life, os conflitos humanos, o existencialismo, a homossexualidade. Tudo isso em uma perspectiva que parece que você está assistindo uma série sobre publicidade. Ou que está assistindo uma ode ao machismo. Retratar a opressão masculina é apenas óbvio diante daquele contexto social e histórico. É a melhor série sobre pessoas e transformações que existe. Ou sobre as nossas contradições. Uma verdadeira obra-prima. A melhor de todos os tempos.

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Patty Cake’s Confeitaria

Trabalhamos com bolos personalizados e para café, doce e sobremesas. Nossos bolos são feitos de forma artesanal com todos os cuidados necessários. Para mantermos a qualidade dos nossos produtos selecionamos os melhores ingredientes, assim conseguimos te proporcionar uma experiência de sabor incrível.
Queremos fazer parte de momentos especiais e realizar sonhos.

Endereço:
Rua Marechal Hermes n° 1466 Bom Jardim
Mossoró/RN
Instagram _pattycakes20
Contato WhatsApp
(84)9 8728-1590

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Espaço de Dança Demi Plié

Idealizado e fundado pela bailarina e Profissional de Educação Física Flávia de Sousa, a Demi Plié está no mercado de dança mossoroense desde 2014. Vem se destacando no Ballet clássico para todas as idade e é referência em Ballet Baby Class e infantil. Recebe bebês a partir de um ano e meio. A escola é idealizadora do Festival de Dança Kids do RN, o Dança KIds Mossoró.

Endereço:
Rua João Falcão n 336 – Vingt Rosado – Mossoró

Instagram: @demiplie_espacodedanca

WhatsApp: (84) 98767-4317

E-mail: demiplie.espacodedanca@gmail.com