Linguagem social para as relações étnico-raciais em “Pele negra, máscaras brancas”

O livro “Pele negra, máscaras brancas”, de Frantz Fanon nos possibilita refletir acerca da relação entre linguagem e relações de étnico-raciais na contemporaneidade.
Com apenas 27 anos de idade, Fanon escreveu essa obra. São textos para uma leitura literária fascinante sobre negritude e de autoria negra.
Organizado em sete capítulos versando sobre:
“O negro e a linguagem”,
“A mulher de cor e o branco”,
“O homem de cor e a branca”,
“Sobre o suposto complexo de dependência do colonizado”,
“A experiência vivida do negro”,
“O negro e a psicopatologia”,
“O negro e o reconhecimento “.
Causa impacto ao ler cada parte de uma escrita que flui pelos efeitos de sentidos decoloniais. No sentido, linguístico, discursivo, literário e artístico.
Dentre outros olhares. O que mostra o livro? O que diz seu autor? Por que sua obra foi censurada nos anos 1960?
Um pouco sobre Fanon, nascido em 1925, na então colônia Martinica, estudioso de biologia, física e química. Entre os anos 1949 e 1951.
Fez psiquiatria e residência na área, tendo coordenado o hospital psiquiátrico da Argélia, no contexto colonial francês.
Nos anos 1956, Fanon rompe com o regime, segue para a Tunísia. Lutou por libertação, foi palestrante e escritor.
 Impulsionou uma literatura que chamou de combatente. Mesmo atacado pelo sistema opressor, escreveu seus livros e resisteu.
Na obra “Pele negra, máscaras brancas”, destacamos discursividades nas relações étnico-raciais. A leitura, linguagem e negritude.
Numa leitura, perpassam compreender a importância do diálogo entre as ciências. Na história e memória discursiva de desigualdades sociais e raciais.
Essas acentuadas pelos variados modos do dispositivo do racismo, fenômeno perverso no cotidiano. Nas relações de subjetividade, instituições e pelo poder da estrutura do Estado.
No brilhante prefácio: “Fanon, existência,  ausência”, Graça Kilomba produz uma discursividade narrativa muito interessante. Conta que conheceu Fanon e sua obra por meio de uma professora de psicanálise que lhe emprestou o livro.
Enquanto vamos lendo, o texto vai inspirando, pois há um efeito leitura/autor/leitor(a) potentes.
Uma escrita de Fanon, do seu tempo, mas que, no presente, nos permite analisar e atualizar sobre o discurso das ausências.
Essas ausências quanto à gêneros, trans-identidades negras, no dizer de Kilomba: “Este é um erro que ele nos deixa para ser ocupada pela nossa existência” (2020, p.16).
Podemos questionar com Grada: “Mas as mulheres negras estão incluídas ou excluídas de Fanon, quando ele escreve “o negro é um homem negro…”?
Entretanto,  a escrita de Fanon é tida como revolucionária. A leitura do livro é indicada aos e às que se interessam e precisam se insurgir. Para lutar à existência. Ou para sonhar na reexistência.
Com certeza, a obra tem fundamentos importantes para discutirmos o papel da linguagem na sociedade.
Somos na resistência na/para/pela linguagem. “Existe no domínio da linguagem uma potência extraordinária” (Fanon, 2020, p. 32).
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